IPv6 – MELHORIAS DE SEGURANÇA NO DIREITO ELETRÔNICO – A VISÃO DOS FABRICANTES

Horário: 17 junho 2011 de 19:00 a 22:00
Local: Salão Nobre da OAB SP Rua: Praça da Sé, 385 – 1° andar – Centro – Cidade: São Paulo – SP
Site ou Mapa: http://www2.oabsp.org.br/asp/cultura.asp?pg=2.3.1&pgv=a&portlet=1&id_cultural=9182
Tipo de evento: seminário
Organizado por: Lúcia Tucci Advogados e Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP
Abertura

Dr. Coriolano A. Almeida Camargo Santos Advogado; Presidente da Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB SP; Juiz do TIT; Conselheiro da FECOMÉRCIO e FIESP; Coordenador da Pós-Graduação em Direito Eletrônico da FADISP; Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e EPD.

Presidente de Mesa Dra. Lúcia Tucci Advogada; Idealizadora da Gestão Jurídica Estratégica com ênfase nas Relações com o Governo e Relações Imobiliárias; Pioneira nas questões de Direito que envolve Alta Tecnologia.

Expositores

Sr. Igor Giangrossi Graduado em Engenharia Elétrica pela Escola de Engenharia Mauá; Consulting Systems Engineer na Cisco.

Dr. José Luis Dadário Advogado; Membro Colaborador da Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB SP; Gerente de Projetos TI/Telecom e Serviços da Telefônica com larga experiência em Redes, Segurança Física / Lógica, Arquitetura e Soluções de Negócio, Tecnologia, Hw/Sw, Processos, Automação e Metodologias de Gestão de Serviços.

Msc. Alexandre José Engenheiro Eletricista com ênfase em Eletrônica, MBA em Gestão de Projetos; Mestre em Engenharia da Computação com especialização em Redes.

Msc. Caio Pastro Klein Engenheiro Eletricista pela UFRGS; Mestre pela Escola Politécnica da USP; Diretor Regional de Tecnologia da Juniper Networks no Brasil.

Msc. Leandro R. Froio Engenheiro de Redes de Comunicação pela Universidade de Brasília; Mestre em Segurança da Informação pela Universidade de Brasília; Gerente de Produtos de Comunicação de Dados da Huawei Technologies.

Debatedores

MSc. Giuliano Giova Perito Judicial de Tecnologia da Informação e Telemática; Mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da USP; Diretor do Instituto Brasileiro de Peritos em Comércio Eletrônico e Telemática – IBP Brasil; Membro do Conselho Superior de Tecnologia da Informação.

Dr. Marcelo Crespo Advogado Especialista em Crimes Digitais; Mestre e Doutorando pela USP; Educador Digital; Professor em cursos de Graduação e Pós-Graduação.

Inscrições / Informações

***Serão conferidos certificados de participação — retirar em até 90 dias*** *** Vagas limitadas***

Inscrições diretamente no site: http://www2.oabsp.org.br/asp/cultura/cultura04.asp?vagas=9182#top

Promoção Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB SP

Apoio Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP Diretor: Dr. Umberto Luiz Borges D’Urso

Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso Presidente da OAB SP

A advocacia deve estar voltada para a gestão. By Lúcia Tucci #Conjur

Advocacia de resultados

“A advocacia deve estar voltada para a gestão”

Lucia_Tucci - Spacca

“Sempre tenho em mente quem sou, para onde vou, o que vou fazer, como fazer, qual o objetivo e se tenho ou não chance de atingir o resultado esperado, em termos estatísticos, inclusive.” Sob essa premissa, a advogada Lúcia Tucci comanda seu escritório de advocacia, em São Paulo. Apaixonada por administração, trouxe os seus conhecimentos de gestão para o cotidiano da advocacia. Para ela, “não sobreviverão aqueles que não tenham a advocacia voltada para a gestão dos procedimentos e processos”.

Com o crescimento do escritório, sentiu a necessidade de contratar um administrador profissional para ajudá-la na organização das contas, custos, infraestrutura, recursos humanos. Não pensou duas vezes, convidou o irmão para ficar no cargo: Claudio Tucci foi o grande responsável pela informatização dos processos e procedimentos da banca.

Os 12 advogados do escritório, especializado em Direito Empresarial e em licitações, especialmente na área de alta tecnologia por conta da experiência de Lúcia com empresas de automação bancária, eleitoral e judicial, ficam livres para trabalhar sem preocupações com questões paralelas à advocacia.

Lúcia conta que seu grande sonho sempre foi ser administradora, mas a família a encaminhou para o Direito, que sempre foi o sonho de sua mãe. Aprovada nos dois vestibulares, aos 17 anos, não teve escolha: encontrou a mãe já fazendo a sua matrícula no Direito e a mensalidade do curso de administração da FGV não cabia no orçamento da família. Por algum tempo, deixou de frequentar as aulas na Faculdade de Osasco, em São Paulo, para estudar e tentar aprovação no vestibular da USP para Administração.  Os seus planos mudaram quando estagiou no departamento jurídico da Manah, fabricante brasileira de adubo.

Lá, participava de reuniões estratégicas com o dono da empresa e percebeu que poderia aliar tudo o que estudou de administração com o que aprendia sobre Direito. Na empresa, chegou a ser a responsável pela área tributária desde importação, exportação, passando por todas as questões aduaneiras.

Há 19 anos tem o seu próprio escritório de advocacia, o Lúcia Tucci Advogados, que tem foco em gestão jurídica estratégica. Desenvolve uma estratégia e um método de atuação em cada caso de cada um dos clientes, com base na jurisprudência ou aproveitando os espaços abertos para novas teses e teorias, mas tudo isso com dados estatísticos e com foco no resultado. Se a porcentagem de sucesso é pequena, não vai em frente. Para isso, conta com médicos, peritos, terapeutas para ajudá-los a entender as peculiaridades dos processos e também dos clientes.

Em entrevista à ConJur, Lúcia fala sobre a experiência de trabalhar com uma advocacia de resultados e de ter um administrador no escritório. Também participaram da entrevista os jornalistas Maurício Cardoso e Lilian Matsuura.

Leia a entrevista:

ConJur — Como funciona um escritório de advocacia com foco na gestão?
Lúcia Tucci — Uma das funções da gestão é acompanhar de perto o andamento dos processos, os prazos, as decisões. Mas antes dessa fase do processo, estar de olho na jurisprudência e nas teorias que são aplicadas ou rejeitadas pelo Judiciário ajuda a definir a estratégia da ação. Ou, então, a dizer para o cliente que aquele caso não tem chances de ser aceito na Justiça e desistir já no começo. Não posso fazer a pessoa me contratar como advogada se ela não vai ter resultado. O que importa menos é o que eu penso. O fundamental é saber: há jurisprudência, não há? Essa tese é nova ou é preciso avançar? É preciso definir uma estratégia, um método de atuação em cada caso de cada um dos clientes. Até na área penal é possível ter indicações de como se deve atuar para obter sucesso. A única área em que o conceito de gestão é difícil de ser aplicado é a de família.

ConJur — Quais outras ferramentas são importantes para a gestão dos escritórios de advocacia?
Lúcia Tucci — É importante ter parceria com médicos, peritos, psiquiatras e até terapeutas, para nos ajudar a entender casos mais complexos e também para lidar com o cliente. Também é fundamental ter consultorias externas, desde a parte de recursos humanos até a infraestrutura da banca. O escritório de advocacia não pode existir sem uma consultoria de alto nível para o sistema operacional, principalmente para o sistema de segurança de informações. É por isso que trouxe o meu irmão Claudio Tucci para trabalhar no escritório.

ConJur — E qual é a parte do negócio que fica nas mãos dele?
Lúcia Tucci — O primeiro desafio dele foi entender como funciona a administração voltada para o mundo jurídico. Ele foi para os Estados Unidos acompanhar um congresso de administração legal e fez um curso também de administração legal na FGV. Nos EUA, por exemplo, conheceu diversas empresas que cuidam do armazenamento de documentos. Eu entendo muito de alta tecnologia e fui com ele visitar todos os fornecedores desses sistemas. Cuidei da parte do contato e ele solucionou as outras questões de forma simples e rápida, além de ter contratado ótimos fornecedores com custo acessíveis. Ele mudou o escritório.

ConJur — Como escolher o sistema de controle de processos do escritório?
Lúcia Tucci — A primeira pergunta que se deve fazer é a porcentagem de erros do sistema. A empresa que garantir, em contrato, a menor porcentagem e o melhor preço é a fornecedora ideal. O processo de informatização do escritório não foi rápido, mas temos um nível de falha muito pequeno. Esse é o calcanhar de Aquiles na administração de escritórios. Por isso, ter um administrador é um grande diferencial. A informatização serve para deixar o advogado mais livre para fazer o que sabe, sem perder tempo arquivando processos, indo atrás de pastas. Ele procura no sistema e vê o que já existe sobre o assunto, economiza tempo. Uma boa forma de dar mais agilidade ao trabalho é usar duas telas de computador. Em uma delas o advogado lê a jurisprudência e faz a pesquisa necessária. Na outra, escreve.

ConJur — Em quanto tempo o escritório consegue recuperar o dinheiro gasto em tecnologia?
Lúcia Tucci — Na verdade, a pergunta deve ser: quanto dinheiro você perde pelo fato de não ter um sistema de controle de processos? O tempo que se leva para recuperar o investimento feito é relativo, depende do tamanho do escritório e de como ele é administrado. No nosso caso, recuperamos em 30 dias, porque fizemos uma boa pesquisa para escolher o fornecedor. O escritório deixa de existir se não tiver um administrador de sistemas.

ConJur — Os escritórios brasileiros estão muito atrasados em termos de administração legal se comparados com as bancas dos Estados Unidos?
Lúcia Tucci —
Não falta muito para chegarmos ao mesmo nível, mas ainda é preciso investimento em administração legal, para cuidar da parte financeira, da infraestrutura e de tudo o mais que não faz parte da advocacia em si. Em São Paulo, já existem muitos escritórios preparados nesse sentido. É preciso ter coragem para fazer essa mudança.

ConJur — Alguns escritórios têm procurado ferramentas de gestão, como o certificado ISO.
Lúcia Tucci —
Para quem nunca teve contato com conceitos de administração o ISO é uma ferramenta estruturada e organizada que vai fazer com que os advogados reflitam sobre formas de administração. Muitos daqueles que acreditam que já trabalham dessa forma vão descobrir que ainda falta muita coisa.

ConJur — Qual o futuro do escritório que não trabalha com foco na gestão?
Lúcia Tucci — Não sobreviverão aqueles que não se preocupam com a gestão. Sempre tenho em mente quem sou, para onde vou, o que vou fazer, como fazer, qual o objetivo e se tenho ou não chances de atingir o meu objetivo, em termos estatísticos, inclusive. É claro que não prometemos resultado aos clientes, porque isso não existe. Mas a gestão é o elemento da mudança nesse século para o Direito. A forma de administrar escritórios de advocacia no Brasil começou a mudar nos últimos 10 anos. Ainda hoje é difícil tocar neste assunto, existe resistência por parte dos advogados.

ConJur — Além da administração de escritórios, em que área do Direito você se especializou?
Lúcia Tucci — Licitações e nas relações com o governo em geral, principalmente na área de tecnologia. Nós procuramos estruturar, organizar as empresas que nunca participaram de licitações para que criem departamentos específicos para isso. Também trabalhamos muito com planejamento sucessório de empresas familiares e Direito Imobiliário.

ConJur — Um dos grandes casos em que atuou foi o da licitação da urna eletrônica. Como foi essa experiência?
Lúcia Tucci — A história da urna eletrônica é um orgulho pessoal e nacional. A mídia criticou muito, mas eu digo que quem faz a diferença não é a tecnologia que inovou, mas sim o homem que usa a tecnologia. Não se pode dizer que o pioneirismo do que aconteceu não seja um orgulho nacional. Qual o outro país no mundo que tem isso? Nem os Estados Unidos têm. Eu vivenciei, vi, vivi a realidade de que um processo de seleção da administração pública pode ser extremamente transparente, real, sério e com respeito a todos os preceitos da Constituição Federal.

ConJur — E como foi a atuação no caso?
Lúcia Tucci — Atuei como advogada de uma das empresas que concorria para fornecer a urna eletrônica e estive lá desde a primeira audiência pública. Naquela época, 1993, 1994, as audiências públicas praticamente não existiam. Era o início da abertura do mercado brasileiro e a Lei de Licitações [Lei 8.666] tinha acabado de ser publicada. O Tribunal Superior Eleitoral criou uma equipe técnica com os melhores da tecnologia do ITA para que visitassem todos os fornecedores de tecnologia existentes no Brasil e fora do país. O tribunal não impôs um modelo de urna eletrônica, cada empresa podia desenvolver o seu próprio protótipo. Os cinco primeiros apresentados eram totalmente diferentes entre si. E o processo de seleção foi ao vivo. A corte foi transformada em um laboratório técnico e os especialistas das empresas tinham de montar a urna ali mesmo. Os recursos apresentados pelos advogados eram verbais e depois eram colocados no papel. A licitação funcionava como se fosse uma audiência, com o presidente da mesa, todos os representantes legais e todas as empresas. E eu era a única mulher.

ConJur — Quais empresas participaram?
Lúcia Tucci — A IBM, Unisys, Procomp, Itautec. A HP participou só da segunda licitação. Foram diversas as licitações. A primeira urna escolhida funcionou só em alguns estados e deu muitos problemas. As pessoas chegaram a esperar uma, duas horas para votar. Mas essas mudanças levam tempo. Hoje, a urna eletrônica é um orgulho para o país.

ConJur — Qual sua opinião sobre a impressão do voto em tempos de urna eletrônica?
Lúcia Tucci — As pessoas acham que a impressão permite a recontagem dos votos e isso é uma ilusão. É obvio que na transmissão de dados existe a possibilidade de manipulação, mas são muitos os mecanismos de segurança para auferir a verdade da votação.

ConJur — Você também atuou na licitação do Cartão Nacional da Saúde. Como foi esse processo?
Lúcia Tucci — Meu cliente era o único que fornecia o sistema que funcionou 100% em Aracaju. Mas houve uma polêmica nacional porque a ideia era criar um Cadastro Nacional de Saúde, em que médicos de todo o país teriam acesso ao histórico e diagnóstico de todos os pacientes. Mas o sigilo é uma garantia individual. E os próprios médicos foram contra o sistema.

ConJur — Por que eles poderiam ser responsabilizados por eventuais erros?
Lúcia Tucci — Não. É que em tudo tem o lado ruim. Em qualquer profissão existem os bons e os maus profissionais. No entanto, acredito que o serviço do Cartão Nacional da Saúde é um projeto que tinha de reviver. Participei do primeiro projeto piloto, que era extremamente inovador. E foi a partir desse sistema, inclusive público, que foi incentivado pelo Ministério da Saúde, que foram criados os sistemas que hoje estão circulando nas operadoras de planos de saúde.

Fonte: http://www.conjur.com.br

Noite de Direito Eletrônico na REDE GOSPEL

Senhores,

 

Neste domingo a amiga Lúcia Tucci, Advogada especialista em Direito Eletrônico, concederá entrevista à REDE GOSPEL.

O Programa Direito e Justiça em Foco, apresentado pelo Desembargador Laércio Laurelli, irá ao ar neste domingo às 22:oo horas.

Entrevista Lucia Tucci ao Programa Direito e Justica em Foco na REDE GOSPEL

O programa será retransmitido conforme abaixo:

CANAIS

SÃO PAULO – CANAL 53

  • Barueri
  • Caieiras
  • Cotia
  • Diadema
  • Ferraz de Vasconcelos
  • Guarulhos
  • Jandira
  • Mauá
  • Osasco
  • Santo André
  • São Caetano
  • São Bernardo
  • São Paulo
  • Taboão da Serra

RIO DE JANEIRO – CANAL 50

  • Belfort Roxo
  • Duque de Caxias
  • Bagé
  • Mesquita
  • Nilópolis
  • Niterói
  • Nova Iguaçu
  • Rio de Janeiro
  • São Gonçalo
  • São João de Meriti

SALVADOR – BAHIA – CANAL 9

  • Camaçari
  • Candeias
  • Catu
  • Diass D’Ávila
  • Itapecirica
  • Lauro de Freitas
  • Madre de Deus
  • Mata de São João
  • Pojuca
  • Salvador
  • São Francisco do Conde
  • Simões Filho
  • Vera Cruz

ITAPETININGA – SÃO PAULO – CANAL 44

  • Itapetininga

GAMA – DISTRITO FEDERAL – CANAL 47

  • Gama – DF
  • Novo Gama – GO
  • Valparaíso – GO

LAGES – SANTA CATARINA – CANAL 13

  • Lages

SÃO JOAQUIM – SANTA CATARINA – CANAL 13

  • São Joaquim

FAZENDA RIO GRANDE – PARANA – CANAL 27

  • Fazenda Rio Grande
  • Araucária – 30% da cidade

SUZANO – SÃO PAULO – CANAL 58

  • Suzano
  • Poá

CANAIS POR ASSINATURA (SP)

CIDADE MODO/OPERADORA CANAL
Araçatuba NET – VIVAX 65
Araraquara NET – VIVAX 65
Atibaia NET – VIVAX 28
Barra Mansa NET – VIVAX 66
Bragança Paulista NET – VIVAX 28
Caçapava NET – VIVAX 137
Cubatão NET – VIVAX 97
Diadema NET – VIVAX 97/28
Guarujá NET – VIVAX 97
Guarujá ITAPEMA TV A CABO 53
Guarulhos NET – VIVAX 17
Itapetininga NET – VIVAX 65
Jacareí NET – VIVAX 98/137
Jundiaí ITAPEMA TV A CABO 58
Mauá NET – VIVAX 97/28
Mogi das Cruzes NET – VIVAX 28
Pindamonhagaba NET 137
P. Venceslau TVC NET 18
Peruíbe SAT TV A CABO 79
Praia Grande NET – VIVAX 97
Resende NET – VIVAX 66
Santo André NET – VIVAX 97/28
Santos NET – VIVAX 97
São Bernardo do Campo NET – VIVAX 97/28
São Caetano do Sul NET – VIVAX 97/28
São José dos Campos NET – VIVAX 97/137
São Paulo TVA 21/21
São Paulo NET 28/28
São Vicente NET – VIVAX 97
Taubaté NET – VIVAX 137

 

 

 

 

Para Dra. Lúcia Tucci, o Direito Eletrônico é uma nova forma de vida nas relações jurídicas.

O direito eletrônico vai mudar a realidade de todas as pessoas. Esse é o entendimento da advogada especialista em direito digital Lúcia Tucci. “Em pouco tempo não vamos mais precisar protocolar papel nos tribunais e tudo será digital”, afirmou Lúcia em entrevista a Última Instância. Pioneira no trabalho com o direito eletrônico do país, Lúcia participou do processo de implementação das urnas eletrônicas no sistema eleitoral brasileiro.

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A advogada entrou no mundo do direito eletrônico antes da maioria de seus colegas e da abertura de mercado, trabalhando com licitações de alta tecnologia. Segundo ela, “o direito eletrônico é a nova ferramenta do direito, porque você vai peticionar eletronicamente, receber eletronicamente, seu equipamento passa a ser quase um protocolo do Judiciário”. E mais: “Através desse equipamento, você vai se relacionar com o Judiciário como um todo, em qualquer área da federação”, completa.

Para Lúcia Tucci, a barreira existente hoje para o avanço do direito eletrônico é a vontade dos operadores de direito de aceitar ou não as inovações do mundo digital. “A mudança vai acontecer com os resistentes ou sem os resistentes” diz, otimista.

Por integrar a Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Lúcia também é responsável por divulgar a cartilha, elaborada pelo órgão, de boas práticas no uso da Internet. “Nós, advogados, sempre estamos preparados para mudanças, mas é necessário que esse preparo seja acompanhado, inovado.”

Leia a seguir a íntegra da entrevista com Lúcia Tucci:

Última Instância – Como a senhora definiria direito eletrônico?

Lúcia Tucci – O direito digital é um gênero do direito eletrônico. Eu definiria essas duas partes da essência do que a gente chama primordialmente de direito eletrônico como a vida do direito para os próximos vinte anos. Você não pode falar de nenhuma área do direito sem ter consciência do direito eletrônico. O que vai mudar a vida de qualquer operador do direito para os próximos anos é a conscientização de que o direito eletrônico faz. O direito eletrônico é a nova ferramenta do direito, porque você vai peticionar eletronicamente, receber eletronicamente, seu equipamento passa a ser quase um protocolo do Judiciário. Através desse equipamento, você vai se relacionar com o Judiciário como um todo, em qualquer área da federação.

Eu ouso dizer que o direito eletrônico é uma nova forma de vida nas relações do direito como um todo. Ele não vai mudar o que o advogado faz, como ele trabalha, ou o juiz do tribunal, mas está mudando a realidade de todas as pessoas. O direito eletrônico é uma oportunidade de se mudar as relações humanas. Quem vai escolher se vamos evoluir ou involuir com essa ferramenta somos nós.

Última Instância – Os magistrados, advogados, operadores do direito, estão preparados para lidar com o direito eletrônico?

Lúcia Tucci – Eu diria que nós, advogados, estamos sempre prontos. Precisamos estar prontos para trabalhar com a operação do direito nas várias formas que temos, inclusive da evolução humana. Nós sempre estamos preparados, mas é necessário que esse preparo seja acompanhado, inovado.

Última Instância – Se a partir de hoje todos os tribunais estivessem totalmente automatizados, os profissionais teriam dificuldade em lidar com a situação? É necessária uma capacitação para que todos saibam lidar de forma mais tranquila com o direito eletrônico?

Todo mundo conseguiria se adaptar e aprender, mas sempre é importante você se capacitar. Os tribunais vêm buscando essa capacitação através de um programa que se chama Projudi (Processo Judicial Digital), do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Se os profissionais estão preparados para aprender ou não, é uma escolha. Quem não acompanhar vai estar obsoleto. Em pouco tempo, não vamos mais precisar protocolar papel nos tribunais e tudo será digital. Já existem comarcas 100% digitais, audiências por teleconferência, entre outras coisas.

Última Instância – Há barreiras para a evolução do direito digital?

Lúcia Tucci – A barreira é o próprio ser humano, é a escolha que o profissional faz de aceitar ou não essa inovação. O que temos visto é que há muitos desembargadores e ministros usando duas telas para trabalhar, para abrir o processo ao lado da tela de trabalho. Há juízes que usam ferramentas de hardware e de software, mas também outros não aceitam e ainda usam os funcionários. Nós assistiremos a muitas mudanças. Eu acredito que há um público que vem estudando isso um pouco mais preparado, mas essa mudança vem naturalmente e sem limites. A mudança vai acontecer com os resistentes ou sem os resistentes. Antes haviam outras barreiras que já foram derrubadas, como conseguir autorização para trazer os equipamentos para o Brasil. Antes da abertura de mercado era difícil trazer um equipamento de alta performance, por exemplo.

Última Instância – A legislação brasileira consegue acompanhar as evoluções do direito eletrônico?

Lúcia Tucci – Eu entendo que o nosso ordenamento jurídico está apto a proteger as pessoas dos abusos que o direito eletrônico vem fazendo em qualquer dos seus ramos. Se não fosse assim, não seríamos um dos primeiros países a dar sentenças em primeira, segunda e até terceira instância a respeito das relações oriundas do direito eletrônico – como abuso do uso da Internet, cyberbullying, ou dos problemas que acontecem com os cartões de crédito, que também são fruto de relações eletrônicas.

Hoje, o Judiciário brasileiro é exemplo para outros países com essas decisões, por isso entendo que o nosso ordenamento está preparado para lidar com o direito eletrônico. Isto não quer dizer que eu discorde de que nós podemos melhorar e que pode haver uma inovação, que é o que falam sobre o Marco Civil. Essa inovação não termina no Marco Civil e acredito que ele não seja autossuficiente para regular o que precisa ser mudado.

Última Instância – Como está hoje a digitalização dos processos e o direito eletrônico no Brasil?

Lúcia Tucci – Perto do que tínhamos em 1992, posso dizer que está muito bem. Alguns tribunais já têm tudo digitalizado. Se começarmos de cima para baixo, vamos encontrar vários tribunais com um nível de digitalização altíssimo. Quando você entra nos Estados, sai da Federação e vai individualizar por comarca, temos alguns Estados bastante atrasados.  São Paulo, por exemplo, é um dos Estados que menos acompanhou a evolução do direito eletrônico.

O direito eletrônico é o caminho para o Brasil ser, inclusive, um dos exemplos para o Judiciário do mundo. Para tirar essa tarja de impunidade, de letargia.  E os tribunais superiores vêm investindo muito forte nisso, com um orçamento bastante significativo.

Última Instância – Como é feito o trabalho para difundir o conhecimento sobre direito digital?

Lúcia Tucci – Disseminar conhecimento na área de direito eletrônico é educar a próxima geração, ou a geração atual, tanto para a parte de segurança nas operações, quanto para como lidar com isso.  Eu encaro como uma atividade de utilidade pública para a sociedade em geral. Fui convidada para ser membro da Comissão dos Crimes de Alta Tecnologia da OAB e, além disso, há eventos que fazemos sobre direito eletrônico. Tanto no escritório, quanto na OAB, assumi o compromisso de realizar eventos de disseminação de conhecimento e cultura o ano inteiro.

Última Instância – Como se dá sua atuação como advogada lidando diretamente com o direito eletrônico?

Lúcia Tucci – Não encaro o direito eletrônico não é uma área do direito, mas a essência do direito. O conceito de gestão jurídica estratégica, criado no escritório, se norteia por quatro perguntas, feitas sempre, para qualquer atividade na empresa: onde eu estou, quem eu sou, para onde eu vou, por que eu estou indo. Há, nesta área de gestão jurídica estratégica nas relações com o governo, a parte de licitações e a parte de direito imobiliário. As duas estão intimamente ligadas ao direito eletrônico. Quem não estiver atualizado com o direito eletrônico como operador do direito está se auto-excluindo paulatinamente das relações.

Última Instância – E quando a senhora começou a trabalhar com o direito eletrônico, se interessar pelo assunto?

Lúcia Tucci – O escritório trabalha com o conceito de gestão jurídica estratégica, com ênfase na área de licitações de alta tecnologia. Por meio do trabalho com as licitações, somos pioneiros na área de direito digital e eletrônico. Isso porque, antes de se falar em direito eletrônico ou digital, precisávamos ter alguma coisa eletrônica e, para isso, começamos a funcionar com as aquisições. Ninguém falava de administração de software, de hardware, de sistema, de aplicativo. Isso começou com a abertura do Mercado, a abertura política, porque até 1993 mais ou menos, não tínhamos a abertura de mercado.

Eu tive a feliz oportunidade de poder começar a trabalhar com isso antes da abertura de mercado. Por isso nós falamos que somos pioneiros. As primeiras organizações de hardware e software da parte de direito eletrônico começaram nessa época, e o jargão “direito eletrônico” veio dos últimos anos para cá.